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FragmentumBuscando a melodia... 18 februari Cavocando a solidãoPor incrível que pareça, no encontro, na piscada de olhos, na encarada, no e-mail, na teclada, na esperança, na troca de mensagens por celular..., é aí que começa a solidão. A despedida não concretizada, o abrandamento das ligações, dos vínculos, o não-começo, o não-tentar, a não-aposta. A vida virtualmente exposta em vitrine, seguida do apagamento das emoções. Do lado de cá, a descrença, a vontade de que tudo que não vai ter continuidade fique por aqui mesmo, de que a espera por nada não se alongue, que o encantamento, a morrer em seguida, não se demore, não se cultive... E é isso, por hoje. Deculpem a nostalgia. 09 augustus Pingos de sol curitibanosEstou aqui, vivendo resquícios de vida. Pingos de sol curitibanos. Prevendo a saudade, transportando-me ao mesmo tempo pras passarelas de Sapucaia. Indo e vindo naquele azul, sentido a poeira do trem que passa sob meus pés. Estou aqui, ouvindo a última história de amor no rádio, fechando, pra fechar, encerrando, finalizando. Estou vivendo os últimos dias de um momento qualquer, mas tão pleno e precipitado, que me tira do foco e me põe a teste. São toques da brisa curitibana, da vida boêmia, do bate-papo... Vou para o vento a rasante, vou enroupar-me, vou. 08 augustus Em trânsitoPor que vim? Por que vou? De todas as conquistas, singelas, fica a despedida, a certeza de que eu vim porque valeria a pena. E vou — volto para meu Rio Grande, de invernadas, de ventos agudos. O frio é rigoroso por lá. Mas é de lá que me chamam, que meu nome se lança, tímido, professoril e sussurra gelidamente: — volte! De Curitiba fica algo profuso, suspenso. Sim, caro leitor, são palavras de que gosto, você já deve ter percebido e tu, também, compatriota. Daqui fica um eco que se propaga, perguntando: por que assim, de repente? E de lá vem a resposta: aqui está o sentido. Ao chegar em Curitiba, já me perguntaram o sentido do vento.
Vou em busca desse sentido, sigo o vento minuano — é na direção dele que vou.
Daqui levo baianos, cariocas, paulistas, londrinenses, curitibanos, catarinos e gaúchos! Essa experiência de conviver com pessoas desse Brasil de meu Deus é algo que me completa de uma forma... daqui levo uma curiosidade natural sobre "de onde você é?". Daqui levo grandes amigos.
O magistério me chama, foram muitos os chamados. Daqui, resta o adeus, a virtualidade desatualizada. Restam meus pincéis de revisora, resta minha arte, começada e interrompida mais uma vez — o teatro. Teatro, tu que resistes às fases de minha vida e que persistes a cada ciclo dela, tenho que te dizer: és uma entidade viva em mim.
Daqui levo uma compreensão de conhecimento — esta sede que me dá um rumo, um o quê, que busca e que também se revigora e se assenta, como tudo que exulta em mim. É assim que me constituo, de fragmentos esparsos, de idas e vindas penosas, reticentes, mas com coragem e espírito de aventura à altura de uma Jeffman — uma Jeffman não se mixa, segundo meu pai ! E sempre com aquela vontade de ir e ficar, mas com a dúvida que indaga: e agora que vieste, ficas? oh, dúvida maldita. Mas pede espaço uma vontade exuberante de trabalho — o labutar que me torna tão bela e presentifica minha existência, pra eu ver que simplesmente... transbordo com meu cotidiano. 06 februari Sem clichêsEu queria trazer uma mensagem de otimismo, queria concentrar aqui todos os clichês de auto-ajuda, queria ser tomada por uma liberdade tal que me fizesse sair afora, resolvendo todas as pendências de minha pobre condição de mortal urbana. Eu queria. Não queria que houvesse três meses de férias, acho que é demais. Isso me deixa agoniada.
Não é que eu tenha três meses de férias, são férias revisadas, passadas a limpo, formatadas.
Não é que eu queira três meses de férias, é que o ano que se passou foi de muitas experimentações e, de todas elas, nenhuma restou, tão-somente o recolhimento.
Não queria ter de resolver coisas a longo prazo, não queria viver nesse paradoxo constante. Queria ir e ficar, entende? É tão simples isso. Preciso organizar tudo, ser tomada por um impulso capricorniano de organicidade, compartimentar as gavetas internas esquematicamente, pra depois desconstruir tudo, mas esse é um momento de... perder-se, simplesmente. 07 oktober O rei-sol globalizadoNão à informação necessária
Pois ela traz indignação
Não à informação necessária
Porque não temos tempo para pensar
Não!
Porque trabalhamos de oito a doze horas por dia.
E não podemos parar
Não nos acorde, não dê a informação vital
porque não há tempo para viver
verdadeiramente
Por Michelle Jeffman |
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